24Outubro2014

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CAIXA cresce “com créditos bons” e tem a menor inadimplência do mercado, diz presidente

A CAIXA se expande com “créditos bons” que os outros bancos não quiseram fazer, afirmou Jorge Hereda, em resposta às críticas de que o crescimento é arriscado. “Nossa carteira tem a menor inadimplência do mercado”, disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Sobre a criação de um banco de investimento, disse que a CAIXA já tem um setor de mercado de capitais e uma vice-presidência de terceiros que atua na área. “O que a CAIXA está fazendo hoje é juntar essas atividades em um banco”, explicou.

Leia a matéria de O Estado de S. Paulo.

 

“NÃO FAZER O QUE A CAIXA FAZ SERIA INCOMPETÊNCIA”

O Estado de S. Paulo, Leandro Modé e Aline Bronzati  04/09/2012

Hereda defende estratégia agressiva, alfineta concorrentes privados e diz que bancos públicos sofrem preconceito.

A Caixa Econômica Federal é hoje o mais agressivo banco de grande porte do País. Além de expandir o crédito em ritmo superior ao dos principais concorrentes, a instituição anunciou na semana passada a criação de um banco de investimentos - que permitirá a entrada em segmentos onde a Caixa não atua hoje. Para fazer frente a tantos desafios simultâneos, o banco, também na semana passada, recebeu nova capitalização de seu único acionista, o governo federal: R$ 1,5 bilhão, que se somam aos R$ 500 milhões do fim do ano passado.

A estratégia da instituição, porém, tem sido duramente criticada por analistas, que apontam dois riscos principais: expansão rápida demais dos empréstimos pode fazer explodir a inadimplência no futuro e a entrada em novos segmentos pode ser perigosa para um banco sem tradição em áreas fora do crédito imobiliário.

Nesta entrevista, o presidente da Caixa, Jorge Hereda, rebate os críticos, reafirma as escolhas para o banco, alfineta os concorrentes privados e reclama de preconceito. "A avaliação deve ser feita de uma maneira mais criteriosa, talvez com um pouco menos de preconceito. O banco público, sempre que faz alguma coisa, parece que o faz de maneira irresponsável", afirmou. A seguir, os principais trechos da conversa.

O ritmo de crescimento de crédito na Caixa está muito superior à média do mercado e tem sido criticado por analistas. Qual a sua posição sobre as críticas?

A Caixa está crescendo com crédito bom. Não tivemos nenhuma alteração no nosso modelo de risco. Nossa avaliação de risco é reconhecida no mercado como uma das melhores. É segura. A Caixa aumentou a carteira com créditos bons que os outros bancos não quiseram fazer. Nossa carteira tem a menor inadimplência do mercado. Por quê? Porque temos foco em modalidades de crédito com inadimplência baixa, como imobiliário e consignado. A Caixa está crescendo nesse ritmo há cinco anos. Já era tempo de termos quebrado. Em 2008, tínhamos 6% do mercado. Hoje temos 14%. Naquela época, a inadimplência era de 2,74%. Hoje é de 2%. O lucro saiu de R$ 2 bilhões para R$ 5,2 bilhões em 2011. Portanto, não temos nenhum motivo para achar que estamos correndo riscos que não sejam calculados. Não temos nenhum motivo para não fazer o que estamos fazendo. Aliás, não fazer o que estamos fazendo seria de uma incompetência muito grande.

Alguns desses argumentos foram repetidos muitas vezes por banqueiros internacionais em 2003, 2004, 2005.... Não é tomar risco demais crescer o crédito tão rapidamente?

Você também deve ter ouvido da boca de banqueiros internacionais como eles faziam a originação do crédito. Eles empacotavam isso e colocavam no mercado secundário. O Brasil tem um mercado secundário ainda incipiente. Além disso, aqui se origina crédito com responsabilidade. Nossa inadimplência em habitação é quase traço. Portanto, não tem nada a ver com o que foi feito lá fora.

Comparando, então, com bancos nacionais. A Caixa está crescendo muito mais fortemente o crédito, sobretudo o imobiliário, do que os concorrentes, inclusive o BB. O que vocês estão vendo que os outros não estão vendo?
Os acionistas desses bancos devem estar muito preocupados, porque é uma oportunidade que eles estão perdendo.

Inclusive os acionistas do BB?

O BB está crescendo bem. O BB tem feito crédito imobiliário com muita competência. O Itaú está investindo para aumentar sua carteira, o Bradesco também. Não vejo nenhum desinteresse pelo crédito habitacional, muito ao contrário. Vou dizer uma coisa com toda a sinceridade: competir com a Caixa nessa área é muito difícil mesmo. A cara da Caixa é habitação. Tem uma avenida em crédito imobiliário no Brasil. É um tipo de crédito seguro. Estamos crescendo em uma área que todos os especialistas acreditam que deve mesmo ser expandida.

Se o sr. tivesse ações de bancos privados, não estaria satisfeito?

Cada banco tem sua característica. Se eu estivesse concentrado em veículos, por exemplo, provavelmente teria mais cuidado nessa área. Nós podemos crescer mais nessa área agora porque temos uma característica diferente. Mas não identificamos nenhum outro motivo para ter a freada que vimos. Se eu fosse acionista desses bancos, ia querer saber por que esse freio aconteceu - uma vez que haveria espaço para crescer mais e o banco não perderia espaço para o concorrente. É importante olhar com o mesmo rigor a estratégia de segurar (o crédito) e a estratégia da gente, de ser mais ousado neste momento. A avaliação deve ser feita de uma maneira um pouco mais criteriosa, talvez com um pouco menos de preconceito. O banco público, sempre que faz alguma coisa, parece que o faz de maneira irresponsável. Mas tudo o que fazemos é em cima de um planejamento estratégico que fizemos. Aproveitamos uma oportunidade ímpar para a Caixa de se recolocar no mercado em um momento de juros baixos. A portabilidade, instituída desde o início do ano é um dado muito importante do mercado de crédito brasileiro. Cada banco tem sua característica e estratégia. Não é que a Caixa seja melhor do que ninguém. Mas acho que agimos certo ao enxergar a oportunidade.

Cada vez mais, Caixa e BB têm atuação parecida. A tendência é que um seja espelho do outro?

Não. O Banco do Brasil tem no crédito rural o que a Caixa tem no habitacional. Assim como o BB não pode viver sem crédito habitacional, pois esse segmento é uma porta de negócios, o argumento em relação à Caixa é o mesmo. Se o banco quer atuar em áreas em que é importante ter crédito rural, também temos de ter esse produto para complementar o portfólio. O fato de os dois fazerem coisas semelhantes não significa dizer que o foco seja o mesmo.

O sr. afirma que quer a Caixa mais completa. Mas alguns analistas criticam essa abrangência maior. Acham que o banco está saindo do negócio dela e veem risco, citando como exemplo o problema do Panamericano.

Os críticos precisam conhecer um pouco mais da realidade. Emitir uma opinião sobre a estratégia de um banco sem conhecê-la profundamente não é muito recomendável. Em relação ao banco de investimentos, a Caixa já tem uma área de mercado de capitais e uma vice-presidência de terceiros que atua com coisas inerentes ao banco de investimento. O que a Caixa está fazendo hoje é juntar essas atividades em um banco. Portanto, não está entrando em um banco que não conheça. Com relação ao Panamericano, qualquer pessoa que entenda de compra de empresas e participações que olhar o processo de compra do Panamericano vai ver que foi feito tudo o que todo mundo faz no mercado para comprar uma empresa. Não tem uma falha no processo. A própria auditoria do banco não conseguiu verificar os problemas. O Banco Central teve de fazer um esforço grande para reconhecer a fraude. A Caixa demorou para fazer a aquisição e, portanto, não considero que foi uma irresponsabilidade entrar onde não se conhece.

O Panamericano não consegue ganhar dinheiro. O que ocorre?

O Panamericano está se reposicionando, sobretudo do ponto de vista da marca. Um banco que sofreu a fraude que o Panamericano sofreu tem de tomar remédio amargo para poder voltar a ser rentável. A tendência é que o Panamericano passe a dar lucro no médio espaço de tempo. Não existe milagre.

Fonte: FENAG

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