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10 Jul
Agenda legislativa concentra debates sobre FGTS, negociação coletiva e direitos trabalhistas na Câmara dos Deputados
Projetos
em tramitação abordam regras para utilização dos recursos do FGTS,
fortalecimento da negociação coletiva e regulamentação das relações de trabalho
no setor público
A
Câmara dos Deputados inicia a segunda quinzena de julho com uma pauta
legislativa voltada a temas de grande impacto para as relações de trabalho no
país. Entre os destaques estão projetos que tratam da governança do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), da preservação de direitos previstos em
acordos coletivos e da regulamentação da negociação entre o poder público e
seus servidores e empregados.
As
discussões ocorrem em diferentes colegiados e acompanham um cenário de intensos
debates sobre modernização das relações laborais, segurança jurídica e
fortalecimento do diálogo social.
Critérios
para mudanças no FGTS entram em debate na Comissão de Finanças
Na
Comissão de Finanças e Tributação (CFT), os parlamentares analisam o Projeto de
Lei nº 1.220/2025, que estabelece requisitos técnicos para a apresentação de
propostas legislativas que alterem as hipóteses de saque ou a destinação dos
recursos do FGTS. A iniciativa busca exigir estudos prévios sobre os impactos
financeiros, atuariais e econômicos de mudanças que possam comprometer a
sustentabilidade do Fundo.
O
tema ganha relevância em um momento em que o FGTS vem sendo utilizado para
diferentes políticas públicas e modalidades de crédito, ampliando o debate
sobre a necessidade de preservar seu equilíbrio financeiro sem comprometer sua
função social, especialmente no financiamento habitacional, em obras de
infraestrutura e na proteção do trabalhador.
Comissão
de Trabalho debate a "Lei da Garantia dos Direitos"
Na
próxima terça-feira (14), a Comissão de Trabalho (CTRAB) realiza audiência
pública para discutir o Projeto de Lei nº 3.015/2025, conhecido como Lei da
Garantia dos Direitos.
A
proposta pretende restabelecer a chamada ultratividade das normas coletivas,
mecanismo pelo qual as cláusulas de convenções e acordos coletivos permanecem
válidas até que um novo instrumento seja negociado entre trabalhadores e
empregadores. Atualmente, após decisão do Supremo Tribunal Federal e alterações
promovidas pela Reforma Trabalhista de 2017, esse efeito deixou de existir
automaticamente.
Foram
convidados para o debate representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, da
Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Departamento Intersindical de
Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), da Federação dos Trabalhadores
em Empresas de Crédito do Centro-Norte (FETECCN) e do Sindicato dos Bancários
de Brasília.
A
audiência deverá reunir diferentes perspectivas jurídicas, sindicais e
institucionais sobre os impactos da proposta para as negociações coletivas e
para a preservação dos direitos dos trabalhadores.
Negociação
no serviço público avança em regime de urgência
Outra
pauta acompanhada com atenção é o Projeto de Lei nº 1.893/2026, que segue em
tramitação no Plenário da Câmara em regime de urgência após receber parecer
favorável do relator.
A
proposta estabelece regras para a negociação das relações de trabalho no setor
público e disciplina a representação sindical de servidores e empregados
públicos da administração direta, autárquica e fundacional. Entre seus
princípios estão a valorização da negociação permanente, a prevenção de
conflitos, a transparência, a boa-fé entre as partes e a participação paritária
nas mesas de negociação.
Caso
aprovado, o projeto poderá representar um marco na institucionalização das
negociações entre administração pública e entidades representativas, criando
instrumentos permanentes para o diálogo e para a solução consensual de
conflitos trabalhistas.
Pautas
com impacto direto sobre os trabalhadores
Os
projetos em discussão refletem temas centrais da agenda trabalhista brasileira:
a preservação do patrimônio do FGTS, o fortalecimento da negociação coletiva e
a modernização das relações de trabalho no setor público.
Pela
abrangência das matérias e pelos possíveis efeitos sobre milhões de
trabalhadores, empregados públicos e entidades representativas, a tramitação
dessas propostas continuará sendo acompanhada de perto nas próximas semanas,
podendo influenciar significativamente o ambiente das relações de trabalho no
país.
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