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22 Mai
Beneficiários do Saúde CAIXA temem suspensão de atendimentos em Florianópolis
Hospital Baía Sul anuncia interrupção da rede
conveniada a partir de junho; entidades alertam para risco de desassistência
hospitalar na Grande Florianópolis
Os beneficiários do Saúde CAIXA em Florianópolis
(SC) vivem um cenário de apreensão diante do anúncio de suspensão dos
atendimentos realizados pelo Hospital Baía Sul e outras unidades parceiras da
rede credenciada. A medida passa a valer em 1º de junho de 2026 e, segundo
comunicado do hospital, foi motivada por entraves administrativos relacionados
ao convênio.
A suspensão atinge diretamente importantes
instituições de saúde vinculadas ao plano, entre elas o Hospital Baía Sul,
Imperial Hospital de Caridade, Clínica Imagem e Clínica e Maternidade Santa
Helena. Caso a decisão seja mantida, a Grande Florianópolis poderá enfrentar
uma significativa redução da cobertura hospitalar, especialmente nas áreas de
pediatria, maternidade, pronto atendimento e cirurgias.
Nesse contexto, a FENAG, representada pelo
presidente Marconi Apollo, reuniu-se com a Superintendente Nacional de
Benefícios da CAIXA, Adriane Velloso Ferreira, na última terça-feira (19), para
discutir os impactos do descredenciamento e buscar alternativas para manutenção
dos atendimentos. Segundo a entidade, a CAIXA enfrenta dificuldades nas
negociações com empresas prestadoras de serviços de saúde devido aos elevados
custos praticados pelo setor e à forte concentração do mercado hospitalar,
cenário que tem agravado os desafios para preservação da rede credenciada do
Saúde CAIXA.
Em comunicado oficial, o Saúde CAIXA informou que os
beneficiários, conforme regulamentação da Agência Nacional de Saúde Suplementar
(ANS), possuem prazo de até 180 dias, a partir da data do descredenciamento,
para solicitar portabilidade para outro plano de saúde, desde que atendidos os
critérios estabelecidos pela agência reguladora. No entanto, a FENAG orienta os
usuários a não realizarem a portabilidade neste momento, defendendo a
permanência no plano como forma de fortalecer a mobilização e ampliar a pressão
por soluções nas negociações em andamento.
Diante da situação, entidades representativas dos
empregados da CAIXA manifestaram preocupação com os impactos imediatos da
suspensão. Em ofício encaminhado em 18 de maio à Gerência Nacional de Saúde
(GESAD), a Federação Nacional das Associações de Gestores da Caixa Econômica
Federal (FENAG), a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa
Econômica Federal (FENAE) e a Federação Nacional das Associações dos
Aposentados e Pensionistas da Caixa Econômica Federal (FENACEF) destacaram os
principais riscos enfrentados pelos usuários do plano.
Entre
os pontos levantados pelas entidades estão:
•
o curto prazo para efetivação da suspensão dos atendimentos;
• a preocupação de empregados e aposentados com procedimentos médicos já
agendados;
• a ausência de hospital credenciado para atendimento geral de urgência e
emergência 24 horas na Grande Florianópolis, com exceção de especialidades cardiológicas
e urológicas;
• a inexistência de outra maternidade credenciada na região;
• a falta de pronto atendimento pediátrico 24 horas;
• a ausência de estruturas alternativas para emergências médicas.
Especialistas apontam que as negociações enfrentam
dificuldades diante da escalada dos custos da saúde suplementar, impulsionada
por avanços tecnológicos e pela atuação de profissionais altamente
especializados, que praticam valores elevados e possuem autonomia para definir
os custos de seus serviços. Também destacam limitações regulatórias e a
concentração de mercado em determinados grupos hospitalares, fatores que
dificultam a ampliação e a manutenção da rede credenciada.
As entidades representativas ressaltam a importância
da mobilização conjunta entre superintendências, federações, associações e
usuários do plano para pressionar por soluções que garantam a continuidade da
assistência médica aos beneficiários.
Crise financeira e avanço do descredenciamento
O cenário ocorre em meio ao agravamento das dificuldades
financeiras enfrentadas pelo Saúde Caixa nos últimos anos. Dados apresentados
pela própria Caixa em reuniões do Grupo de Trabalho do Saúde Caixa apontam
déficit de R$ 346,3 milhões apenas no primeiro semestre de 2025. As projeções
indicavam possibilidade de encerramento do ano com déficit entre R$ 500 milhões
e R$ 700 milhões, podendo alcançar até R$ 900 milhões em 2026 caso o modelo
atual de custeio fosse mantido.
Entidades sindicais atribuem parte da crise ao teto
estatutário de 6,5% da folha de pagamento da Caixa destinado ao custeio do
plano, implementado em 2017. Segundo representantes dos empregados, a limitação
reduziu a participação financeira histórica do banco no Saúde Caixa e ampliou a
transferência de custos para empregados e aposentados.
Além do aumento das mensalidades e do déficit
financeiro, o descredenciamento de hospitais, clínicas, laboratórios e
profissionais de saúde tornou-se um dos principais fatores de preocupação dos
beneficiários. Usuários relatam dificuldade crescente de acesso à rede
conveniada, sobretudo em cidades do interior e regiões afastadas dos grandes
centros urbanos.
Linha do tempo, descredenciamento e crise da rede
assistencial
•
2017 - Implantação do teto de custeio de 6,5%
Entidades sindicais relacionam a medida ao início da redução gradual da
capacidade de manutenção da rede credenciada.
•
2019 a 2021 - Crescimento das reclamações regionais
Usuários passaram a relatar dificuldades de acesso a especialistas, hospitais e
exames em diferentes regiões do país.
•
2022 - Pressão inflacionária sobre a saúde suplementar
O aumento dos custos hospitalares e assistenciais elevou tensões entre
operadoras e prestadores de serviço.
•
2023 - Intensificação das denúncias de perda de rede
Sindicatos passaram a cobrar mecanismos permanentes de monitoramento dos
descredenciamentos.
•
2024 - Debate sobre regionalização da rede credenciada
Representantes dos empregados defenderam maior participação dos usuários nas
decisões relacionadas à assistência médica.
•
2025 - Criação dos Comitês de Credenciamento e Descredenciamento
Após pressão das entidades representativas, a Caixa
iniciou a instalação de 14 comitês regionais para acompanhamento da rede
credenciada.
Impactos para os beneficiários
Segundo
entidades representativas, os principais impactos do descredenciamento incluem:
• aumento do tempo de deslocamento para consultas e exames;
• redução de opções de especialistas;
• sobrecarga em hospitais remanescentes;
• interrupção de tratamentos continuados;
• insegurança sobre a continuidade da assistência médica.
Especialistas destacam que o fenômeno não é
exclusivo do Saúde Caixa. Dados do setor de saúde suplementar mostram que
outras operadoras também enfrentam dificuldades relacionadas ao aumento dos
custos hospitalares, judicialização da saúde e pressão financeira sobre os
planos.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
estabelece que operadoras devem garantir substituição equivalente em casos de
descredenciamento hospitalar e assegurar continuidade assistencial aos
beneficiários, especialmente em tratamentos em andamento. No entanto, entidades
de defesa dos consumidores afirmam que a aplicação prática dessas garantias
ainda gera conflitos frequentes no setor.
Fontes:
Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)
Caixa Econômica Federal — Saúde Caixa
FENAG — Federação Nacional das Associações de Gestores da Caixa Econômica
Federal
FENAE — Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica
Federal
FENACEF — Federação Nacional das Associações dos Aposentados e Pensionistas da
Caixa Econômica Federal
Sindicato dos Bancários de São Paulo
Grupo de Trabalho do Saúde Caixa
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